quinta-feira, 3 de maio de 2012


Filosofia – Texto 17 – A Proposição – Lógica Aristotélica



A Proposição

Prof. Maicon Martta

Uma proposição é constituída por elementos que são seus termos.

Aristóteles define os termos ou categorias como “aquilo que serve para designar uma coisa”. São palavras não combinadas com outras e que aparecem em tudo quanto pensamos e dizemos. Há dez categorias ou termos:

1)      Substância: (por exemplo: homem, Sócrates, animal).

2)      Quantidade: (por exemplo: dois metros de comprimento).

3)      Qualidade: (por exemplo: branco, grego, agradável).

4)      Relação: (por exemplo: o dobro, a metade, maior do que).

5)      Lugar: (por exemplo: em casa, na rua, no alto).

6)      Tempo: (por exemplo: ontem, hoje, agora).

7)      Posição: (por exemplo: sentado, deitado, de pé).

8)      Posse: (por exemplo: armado, isto é, na posse de uma arma).

9)      Ação: (por exemplo: corta, fere, derrama).

10)   Paixão ou Passividade: (por exemplo, está cortado, está ferido).

As categorias ou termos indicam o que uma coisa é ou faz, ou como está. São aquilo que nossa percepção e nosso pensamento captam imediata e diretamente numa coisa, sem precisar de nenhuma demonstração, pois nos dão a apreensão direta de uma entidade simples. Possuem duas propriedades lógicas: a extensão e a compreensão.

Extensão é o conjunto de objetos designados por um termo ou categoria. Compreensão é o conjunto de propriedades que esse mesmo termo ou essa categoria designa. Ex. Extensão – Homem, Sócrates, Paulo. Ex. Compreensão – Animal, racional, bípede, mortal etc.

Quanto maior a extensão de um termo, menor a compreensão, e quanto maior a compreensão, menor a extensão. Se, por exemplo, tomarmos o termo Sócrates, veremos que sua extensão é a menor possível, pois se refere a um único ser; no entanto, sua compreensão é a maior possível, pois possui todas as propriedades do termo homem e mais suas próprias propriedades na qualidade de uma pessoa determinada. Essa distinção permite classificar os termos ou categorias em três tipos:

1)      Gênero: extensão maior, compreensão menor. Exemplo: Animal.

2)      Espécie: extensão média e compreensão média. Exemplo: Homem.

3)      Indivíduo: extensão menor, compreensão maior. Exemplo: Sócrates.


Na proposição, a categoria da substância é o Sujeito (S) e as demais categorias são os Predicados (P) atribuídos ao sujeito. A atribuição ou predicação se faz por meio do verbo de ligação “ser”. Exemplo: Pedro é alto.

A proposição é um discurso declarativo que enuncia ou declara verbalmente o que foi pensado e relacionado pelo juízo. A proposição reúne ou separa verbalmente o que o juízo reuniu ou separou mentalmente.

A reunião de termos se faz pela afirmação: S é P. A separação se faz pela negação: S não é P.

A reunião ou separação dos termos é considerada verdadeira ou recebe a denominação verdade quando o que foi reunido ou separado em pensamento e na linguagem está efetivamente reunido ou separado na realidade. Da mesma forma, a reunião ou separação dos termos é considerada falsa ou recebe a denominação falsidade quando o que foi reunido ou separado em pensamento e linguagem não está efetivamente reunido ou separado na realidade.  Do ponto de vista do Sujeito (S), há dois tipos de proposições:

1) Proposição existencial: declara a existência, posição, ação ou paixão do sujeito. Ex. “Um homem é (existe)”, “Um homem anda”, “Um homem está ferido”. E suas negativas: “Um homem não é (não existe)”, “Um homem não anda”, “Um homem não está ferido”;

2) Proposição predicativa: declara atribuição de alguma coisa a um sujeito por meio do verbo de ligação é. Ex. “Um homem é justo”, “Um homem não é justo”.

As proposições se classificam segundo a qualidade e a quantidade. Do ponto de vista da qualidade, as proposições se dividem em:

Afirmativas: as que atribuem alguma coisa a um sujeito: S é P.

Negativas: as que separam o sujeito de alguma coisa: S não é P.

Do ponto de vista da quantidade, as proposições se dividem em:

Universais: quando o predicado se refere à extensão total do sujeito, afirmativamente (Todos os S são P) ou negativamente (Nenhum S é P).

Particulares: quando o predicado é atribuído a uma parte da extensão do sujeito, afirmativamente (Alguns S são P) ou negativamente (Alguns S não são P);

Singulares: quando o predicado é atribuído a um único indivíduo, afirmativamente (Este S é P) ou negativamente (Este S não é P).

Além da distinção pela qualidade e pela quantidade, as proposições se distinguem pela modalidade (modo), sendo classificadas como:

Necessárias: quando o predicado está incluído necessariamente na essência do sujeito, fazendo parte dessa essência. Por exemplo, “Todo o triangulo é uma figura de três lados”, “Todo homem é mortal”.

Não necessárias ou impossíveis: quando o predicado não pode, de modo algum, ser atribuído ao sujeito. Por exemplo: “Nenhum triângulo é uma figura de quatro lados”, “Nenhum planeta é um astro de luz própria”;

Possíveis: quando o predicado pode ser ou deixar de ser atribuído ao sujeito. Por exemplo: “Alguns homens são justos”.

Como todo o pensamento e todo juízo, a proposição está submetida a três princípios lógicos fundamentais, condições de toda a verdade, isto é, os princípios de identidade, de contradição e de terceiro excluído (ver apostila pg.3). Graças a esses princípios obtemos a última maneira pela qual as proposições se distinguem. Trata-se da classificação das proposições segundo a relação:

Contraditórias: quando temos o mesmo sujeito e o mesmo predicado, uma das proposições é universal afirmativa (Todos os S são P) e a outra é particular negativa (Alguns S não são P); ou quando se tem uma universal negativa (Nenhum S é P) e uma particular afirmativa (Alguns S são P). Por exemplo: “Todos os homens são mortais e alguns homens não são mortais”. Ou então: “Nenhum homem é imortal e Alguns homens são imortais”;

Contrárias: quando, tendo o mesmo sujeito e o mesmo predicado, uma das proposições é universal afirmativa (Todo S é P) e a outra é universal negativa (Nenhum S é P); ou quando uma das proposições é particular afirmativa (Alguns S são P) e a outra particular negativa (Alguns S não são P). Por exemplo: Todas as estrelas são astros com luz própria e Nenhuma estrela é um astro com luz própria. Ou então: Alguns homens são justos e Alguns homens não são justos;

Subalternas: quando uma universal afirmativa subordina uma particular negativa de mesmo sujeito e predicado, ou quando uma universal negativa subordina uma particular negativa de mesmo sujeito e predicado.

Quando a proposição é universal e necessária (seja afirmativa, seja negativa), diz-se que ela declara um juízo apodítico. Quando a proposição é universal possível ou particular possível (afirmativa ou negativa), diz-se que ela declara um juízo hipotético, cuja formulação é: “Se... então...”. Quando a proposição é universal ou particular (afirmativa ou negativa) e comporta uma alternativa que depende de acontecimentos ou das circunstâncias, diz-se que ela declara um juízo disjuntivo, cuja formulação é: “Ou... ou...”.

Assim, a proposição “Todos os homens são mortais” e a proposição “Nenhum triangulo é uma figura de quatro lados” são apodíticos. A proposição “Se a educação for boa, ele será virtuoso” é hipotética. A proposição “Ou choverá amanhã ou não choverá amanhã” é disjuntiva.


O Silogismo:

Aristóteles elaborou uma teoria de raciocínio como inferência. Inferir é obter uma proposição como conclusão de outra ou de várias proposições que a antecedem e são sua explicação ou causa. O raciocínio realiza inferências. O raciocínio é uma operação do pensamento realizada por meio de juízos e enunciada por meio de proposições encandeadas, formando um silogismo.

Raciocínio e silogismo são operações mediatas de conhecimento, pois inferência significa que só conhecemos alguma coisa (a conclusão) por meio ou pela mediação de outras coisas. Em outras palavras, o raciocínio e o silogismo diferem da intuição que é um conhecimento direto ou imediato de alguma coisa ou de alguma verdade.

A teoria aristotélica do silogismo é o coração da lógica, pois é a teoria das demonstrações ou das provas, da qual depende o pensamento cientifico e filosófico.

O silogismo possui três características principais:

1) é mediato: exige um percurso de pensamento e de linguagem para que se possa chegar a uma conclusão. 2) é demonstrativo (dedutivo ou indutivo): é um movimento de pensamento e de linguagem que parte de certas afirmações verdadeiras para chegar a outras também verdadeiras e que dependem necessariamente das primeiras. 3) é necessário: porque é demonstrativo (as conseqüências a que se chega na conclusão resultam necessariamente da verdade do ponto de partida). Por isso Aristóteles considera o silogismo que parte das proposições apodíticas superior ao que parte das proposições hipotéticas ou possíveis, designando-o com o nome de ostensivo, pois ostenta ou mostra claramente a relação necessária e verdadeira entre o ponto de partida e a conclusão. O exemplo mais famoso do silogismo ostensivo é:

Todos os homens são mortais.                     A é verdade de B

Sócrates é homem.                            B é verdade de C

Logo, Sócrates é mortal.                   Logo, A é verdade de C


A inferência silogística também é feita com negativas:


Nenhum anjo é mortal.                      A é verdade de B

Miguel é anjo.                                               B é verdade de C

Logo, Miguel não é mortal.              Logo, A é verdade de C





Bibliografia Consultada:

Convite a Filosofia – Marilena Chauí.



Dicas de Leitura:

Metafísica – Aristóteles.

quarta-feira, 2 de maio de 2012




O HOMEM A FILOSOFIA E A ORIGEM DO FILOSOFAR*

Prof. Maicon Martta



“O homem só conhece o mundo dentro de si se toma consciência de si mesmo dentro do mundo”.

Goethe



O homem sempre se manteve numa posição privilegiada dentre os seres do universo. De acordo com Giordano Bruno, filósofo italiano da Renascença, ele, o homem, se situa no limite entre eternidade e tempo, participando de ambos[1]. Caracteriza-se no tempo, sendo filho do seu próprio tempo, vivendo sua historicidade e realizando os seus feitos no passar da história; na eternidade, com as obras realizadas e a cultura perpetuada, cultura esta que é o que melhor nos diferencia dos demais seres.

O homem, diferentemente de outros animais, é o único que pode fazer escolhas, é o único que pode se posicionar diante os fatos e realidade da natureza. Ao observarmos a natureza, podemos ver castores fabricando diques dentro de rios, e abelhas em colméias fabricando o mel. Por que abelhas não constroem diques e por que castores não fabricam mel? Tanto castores como abelhas são determinados biologicamente a agir dessa ou daquela forma, o que significa dizer que eles não tem escolha. Uma abelha não decide na última hora que não quer mais fabricar mel e muito menos diz que daquele momento em diante vai se portar como um castor e construir um dique que pode ser muito mais divertido. O homem por sua vez, pode dizer SIM, ou NÃO, ou ainda pode dizer talvez, apresentando dessa forma, sua tendência natural à dúvida e, consequentemente, a reflexão sobre sua maneira de agir.

Ao fazer escolhas, o homem se coloca numa posição de destaque na natureza, principalmente por ter consciência de suas escolhas, por raciocinar sobre aquilo que quer, por saber que quer. Dessa forma, dizemos que o ato de pensar e refletir a realidade é um ato estritamente humano, reservado somente ao homem, assim como o ato de fazer filosofia, de pensar filosoficamente o mundo.

A filosofia nasceu por volta do século VII a.C. na Grécia, mais precisamente nas colônias gregas da Ásia menor. Ela surgiu como alternativa para contrapor a explicação mitológica de mundo, que era uma explicação dúbia e sem maior aprofundamento intelectual. O que a filosofia faz, e faz desde suas origens, não é encontrar uma utilidade para as coisas, mas uma explicação racional para todas as coisas existentes, em outras palavras, a filosofia é um fim em si mesma. Etimologicamente Filosofia significa, Amor, busca ou ainda, amizade pela sabedoria, denotando assim sua incansável busca pela essência das coisas, pelo conhecimento.

Se reconhecendo no mundo como um amante da sabedoria (um filósofo), o homem procura o entendimento de si mesmo e do mundo. Dessa forma, o homem é um animal diferente. É um animal que sabe, e mais do que isso, é um animal que sabe que sabe: homo sapiens sapiens. O homem tem consciência do mundo a sua volta, o que não acontece com outros animais. A consciência é o que nos permite ter cultura nos diferenciando assim dos demais seres. Mas o que é consciência? É nada mais do que o desenvolvimento dessa atividade mental que nos permite estar no mundo com algum saber, “com-ciência”. O homem é capaz de fazer sua inteligência debruçar sobre si mesma para tomar posse do seu próprio saber, avaliando sua consistência, seu limite e seu valor.

O processo contínuo de conscientização faz do homem um sistema aberto, fundamentalmente relacionado com o mundo e consigo mesmo. O homem é o único ser capaz de voltar-se para dentro de si investigando o seu íntimo, assim como projetar-se para fora, investigando o universo. Aberto ao Ser e ao saber, a conscientização faz o homem um ser dinâmico, eterno caminhante destinado à procura e ao encontro da realidade. Caminhante cuja estrada é feita da harmonia e do conflito com o Ser, o Saber e o Fazer, dimensões essas que são essenciais da existência humana.

Em conseqüência desse processo de conscientização e reflexão, o homem pensa o mundo e a si mesmo. Mas para pensar o mundo, o homem primeiro passou a admirar o mundo, seu movimento, sua grandiosidade, sua sacralidade. O mundo foi o primeiro objeto de reflexão da filosofia. E essa reflexão só foi possível através da Admiração.  Para ilustrar esse momento de “admiração” vamos fazer um exercício mental. Imagine-se chegando a nossa galáxia, a Via Láctea. Durante milhares de anos você voa sem rumo entre as estrelas e os sistemas solares. De vez em quando, gira em torno de um planeta – sem enxergar o menor sinal de vida. Você já está prestes a ir embora quando, de repente, avista um planeta transbordando de vida no meio de uma das múltiplas espirais da galáxia. Nesse exato momento você acorda. A viagem foi um sonho! Mas você percebe que o planeta que descobriu em seu sonho é o planeta onde você vive[2]. Parabéns, você acabou de descobrir que seu planeta transborda em vida, algo simples e fascinante e passa a se admirar com isso e a ver o mundo de maneira diferente. Um olhar de quem acabou de acordar para algo novo e incrível, um olhar de quem descobre a origem do filosofar.



BIBLIOGRAFIA CONSULTADA



GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor e NOTAKER, Henry. O Livro das Religiões, São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

 RABUSKE, Edvino A. Antropologia Filosófica, Petrópolis – RJ: Editora Vozes, 1987.



* Texto adaptado do artigo “A Alegoria da Caverna de Platão e a origem do Filosofar”, apresentado no II Congresso Internacional de Ética, epistemologia e educação, apresentado em 26 de setembro de 2005.
[1] Cf. RABUSKE, Edvino A. Antropologia Filosófica, 1987.
[2] Cf. GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor e NOTAKER, Henry. O Livro das Religiões, 2002.
Geografia - Texto - 9 - Eras Geológicas.


 

Pré- Cambriana
( ou primitiva )
 


 

Azóico


Ausência de vida . Constituição das primeiras rochas magmáticas , a partir da solidificação dos minerais .

Arqueozóico





4.000
Corresponde à formação da crosta terrestre , com o surgimento dos primeiros aglomerados rochosos, que são os escudos cristalinos . Marca também o inicio da definição dos mares e continentes e o inicio da vida , através do aparecimento de bactérias  e de algas azuis nos oceanos .

 


Proterozóico





Caracterizada por intensa atividade vulcânica , que trouxe o magma do interior para a superfície . Após o resfriamento , esse transformou – se em rochas , que , por sua vez sofreram metamorfismo , originando os grandes depósitos de minerais metálicos como ferro , manganês , ouro , etc . Alem disso , dá – se o desenvolvimento de vida na água .




Paleozóica

( ou primaria )
·        Permiano
·        Carbonífero
·        Devoniano
·        Siluriano
·        Ordoviciano
·        Cambriano



340
Era de grande atividade formadora e transformadora da superfície . É  dessa época  o surgimento de alguns conjuntos montanhosos , como os Alpes Escandinavos ( Europa ) , os Montes Apalaches ( Estados Unidos ) e o Maciço de Vosges (França ) . Durante o período final dessa era , ocorreu o soterramento de florestas em varias porções do globo , dando origem às jazidas de carvão mineral . É também marcada pelo surgimento dos primeiros repteis e pelo destaque dos anfíbios , moluscos e peixes .



Era

Período

Duração ( em milhões de anos )
Características principais :



Mesozóica  ( ou secundária )
·        Cretáceo
·        Jurássico
·        Triássico



167

Foi a Era do gigantismo na Terra , com o surgimento , desenvolvimento e extinção de grandes repteis , como os dinossauros . Houve também um intenso vulcanismo e consequentemente derrame de lava em varias partes do globo . Grande parte das jazidas petrolíferas hoje conhecidas originaram- se do processo de sedimentação dos fundos marinhos ocorridos nessa era .




Cenozóica
Terciário

 Constituição das grandes cadeias montanhosas ( Alpes ,  Andes , Himalaia , Rochosas e Atlas ) . Extinção dos repteis gigantescos e de desenvolvimento dos mamíferos .


Quaternário


Surgimento da espécie humana . Configuração atual dos continentes e oceanos É caracterizado também pelas grandes glaciações.





quarta-feira, 28 de março de 2012




Filosofia – Texto 16 – Teoria do conhecimento



O que se entende afinal por conhecimento? Em que consiste a teoria do conhecimento? Iniciaremos esclarecendo a segunda pergunta. A teoria do conhecimento pode ser entendida como a investigação acerca das condições do conhecimento verdadeiro, em outras palavras, a Teoria do Conhecimento é uma reflexão filosófica com o objetivo de investigar as origens, as possibilidades, os fundamentos, a extensão e o valor do conhecimento.

Embora o problema do conhecimento tenha preocupado filósofos desde a antiguidade, somente a partir da idade moderna a teoria do conhecimento passou a ser tratada como uma das disciplinas centrais da filosofia.

Voltamos à primeira pergunta. O que se entende por conhecimento? De uma maneira geral “conhecer é representar cuidadosamente o que é exterior à mente” (Richard Rorty – A filosofia é o espelho da natureza).

A representação, por sua vez, é o processo pelo qual a mente torna presente diante de si a imagem, a ideia ou o conceito de algum objeto. Portanto, para que exista conhecimento, sempre será necessário a relação entre dois elementos básicos: Um sujeito que conhecedor (nossa consciência, nossa mente) e um objeto conhecido (a realidade, o mundo, os inúmeros fenômenos). Só haverá conhecimento se o sujeito conseguir apreender o objeto, isto é, conseguir representá-lo mentalmente.

Dependendo da corrente filosófica, será dada, no processo do conhecimento, maior ou menor importância ao sujeito (é o caso do idealismo) ou ao objeto (é o caso do materialismo, ou realismo).



Para o realismo (materialismo ou empirismo), as percepções que temos dos objetos correspondem de fato às características presentes nesses objetos, na realidade. Os objetos é que determinam o conhecimento.

O realismo mais ingênuo acredita que o conhecimento ocorre por uma apreensão imediata das características do objeto, isto é, o objeto se mostra como realmente é ao sujeito que percebe, determinando o conhecimento que então se estabelece. Há outras formas de realismo, no entanto, que problematizam a relação sujeito-objeto, mas mesmo assim elas têm em comum a ideia de que o objeto é determinante no processo do conhecimento.



Já segundo o idealismo (racionalismo), o sujeito é que predomina em relação ao objeto, isto é, a percepção da realidade é construída pelas nossas ideias, pela nossa consciência. Assim, os objetos seriam “construídos” de acordo com a capacidade de percepção do sujeito. Conseqüentemente, o que existiria como realidade é a representação que o sujeito faz do objeto.

Também no idealismo há posições mais ou menos radicais em relação à afirmação do sujeito como elemento determinante na relação de conhecimento.

Filosofia – Texto 15 – Cinismo; Estoicismo e Epicurismo. (conceitos)



Autarquia: Corresponde à autossuficiência do individuo que percebe dispor de tudo aquilo de que necessita para viver, sem depender de bens materiais ou de reconhecimento social. Condição do sábio que entende a felicidade como conseqüência da virtude e não de riquezas, honras e prazeres.

Ataraxia ou apatia: Corresponde ao estado do homem constantemente imperturbável frente as emoções. Uma condição de tranqüilidade, na qual, independente dos fatos, o individuo permanece inabalável, sem se deixar arrastar por alegrias e prazeres, nem por dores e tristezas.



Cinismo: Corrente filosófica criada por Antístenes. Pregava uma vida simples e serena, em harmonia com a natureza e os instintos humanos, livres das convenções e das instituições sociais. A felicidade era correspondida pelo autodomínio e à liberdade.



Estoicismo: Corrente filosófica criada por Zenão de Cicio. Entendiam a filosofia como vida contemplativa, distante da influência das paixões, pautada pela autarquia e pela ataraxia. Acreditavam que uma pessoa era um microcosmo que refletia o macrocosmo (universo, ou Deus) e sua ordem necessária garantida por uma razão divina.

·        Eram panteístas e tudo passava por um processo natural (por essa razão pregavam a ataraxia).

·        Eram cosmopolitas (ou seja, não faziam distinção entre povos considerando-se habitantes não de uma região específica, mas do cosmos).

Epicurismo: Corrente filosófica fundada por Epicuro. Essa corrente de pensamento defendia que a felicidade se baseava na busca do prazer e na ausência da dor. Essa busca era pautada pela ataraxia e aponía (ausência de dores no corpo).

·        Eram cosmopolitas;

·        A filosofia, assim como era para Platão, representavam um “Remédio” para a alma.

·        Para garantir a felicidade seguiam quatro preceitos:

1)      Não há razão para temer os deuses e o além;

2)      Não há porque temer a morte;

3)      O prazer está ao alcance de todos;

4)      O mal é suportável ou dura pouco.

Filosofia – Texto 14 – Kant e o processo do conhecimento (síntese I)



Immanuel Kant (1724-1804) – A capacidade de conhecer

Prof. Maicon Martta



Kant é considerado o maior filósofo do iluminismo alemão e um dos mais importantes dentro da história do pensamento ocidental. Nascido em Königsberg, e sem nunca ter saído de sua cidade, Kant sintetiza em suas obras o otimismo iluminista em relação à possibilidade de o homem se guiar por sua própria razão, sem deixar enganar pelas crenças, tradições e opiniões alheias.

Ele apresenta o processo de Iluminação ou Esclarecimento (Aufklärung) como sendo a “saída do homem de sua menoridade” e a tomada de consciência por ele da autonomia da razão na fundamentação do agir humano.

O ser humano, como ser dotado de razão e liberdade, é o centro da filosofia kantiana. Kant afirma que a filosofia deve responder a quatro questões fundamentais: O que posso saber? Como devo agir? O que posso esperar? E o que é o homem?

Tentando responder essas questões, ele desenvolveu um exame crítico da razão, a fim de investigar as condições nas quais se dá o conhecimento humano.

Esse exame está contido em sua obra mais célebre, Critica da Razão Pura. Nesta obra ele distingue duas formas básicas para o ato de conhecer.

O Conhecimento empírico (a posteriori): Aquele que se refere aos dados fornecidos pelos sentidos, isto é, que é posterior à experiência. Exemplo: Este livro tem capa verde.

O Conhecimento puro (a priori): Aquele que não depende de quaisquer dados dos sentidos, ou seja, que é anterior a experiência. Nasce puramente de uma operação racional. Exemplo: duas linhas paralelas jamais se encontrarão no espaço. Essa afirmação (juízo) não se refere a esta ou àquela linha paralela, mas a todas. É uma afirmação universal. Além disso, é uma afirmação que, para ser válida, não depende de nenhuma condição específica. Trata-se de uma afirmação necessária.

O conhecimento puro, portanto conduz a juízos universais e necessários, enquanto o conhecimento empírico não possui essas características. Os juízos, por sua vez, são classificados por Kant em dois tipos: os analíticos e os sintéticos.

O juízo analítico é aquele que o predicado já está contido no sujeito. Ou seja, basta analisarmos o sujeito para deduzirmos o predicado. Exemplo: O quadrado tem quatro lados. Analisando o sujeito quadrado, concluímos, necessariamente o predicado: tem quatro lados.

O juízo sintético é aquele em que o predicado não está contido no sujeito. Nesses juízos, acrescenta-se ao sujeito algo novo, que é o predicado. Assim, os juízos sintéticos enriquecem nossas afirmações e ampliam o conhecimento. Exemplo: Os corpos se movimentam. Por mais que analisemos o conceito corpo (sujeito) não extrairemos a informação representada pelo predicado se movimentam.

Por fim, analisando o valor de cada juízo, Kant chega à seguinte classificação:

Juízo analítico: Serve apenas para tornar mais claro, para explicitar aquilo que já se conhece do sujeito. Não dependendo da experiência sensorial, o juízo analítico é universal e necessário. Mas, a rigor, é pouco útil, no sentido de que não conduz a conhecimentos novos.

Juízo sintético a posteriori: Está diretamente ligado a nossa experiência sensorial. Tem uma validade sempre condicionada ao tempo e ao espaço em que se deu a experiência. Não produz, portanto, conhecimentos universais e necessários.

Juízo sintético a priori: É o mais importante por dois motivos: a) não estando limitado pela experiência, é universal e necessário; b) seu predicado acrescenta novas informações ao sujeito, possibilitando uma ampliação do conhecimento. Segundo Kant, a matemática e a física são disciplinas científicas por trabalharem com juízos sintéticos a priori.

Como se formam os juízos sintéticos a priori?

De acordo com Kant, esses juízos se fundamentam nos dados captados pelos sentidos e na organização mental desses dados, seguindo certas categorias apriorísticas do nosso entendimento. O conhecimento, portanto, é uma síntese entre o sujeito que conhece e o objeto conhecido. Segundo Kant, é impossível conhecermos as coisas em si mesmas (o ser em si - nôumeno), só conhecemos as coisas tal como as percebemos (o ser para nós – fenômeno).

Essa posição epistemológica de Kant significa uma síntese entre idealismo e realismo, pois, para ele, o conhecimento não é dado nem pelo sujeito nem pelo objeto, mas pela relação que se estabelece entre esses dois pólos. O que podemos conhecer são apenas os fenômenos, ou seja, os objetos tais como eles se aparecem para nós, mas não como eles são em si mesmos.

Mas por que não podemos conhecer as coisas em si? Kant dirá que é porque nós percebemos a realidade a partir das formas a priori da sensibilidade: o tempo e o espaço. Com isso ele quer dizer que nossa capacidade de representar as coisas se dá sempre no tempo e no espaço. Essas noções são “intuições puras”, existem com representações básicas na nossa sensibilidade.

De forma semelhante, os dados que são captados por nossa sensibilidade são organizados pelo entendimento de acordo com categorias, que são “conceitos puros” existentes a priori no entendimento, tais como o conceito de causa, de necessidade e outros que servirão de base para a emissão de juízo sobre a realidade.

Destarte, Kant revoluciona a maneira de trabalhar a questão do conhecimento. Antes dele, afirmava-se que a função de nossa mente era assimilar a realidade do mundo. Nessa operação, alguns filósofos só consideravam importante a atividade mental do sujeito (racionalismo dogmático), enquanto outros ressaltavam o papel determinante do objeto real exterior (empirismo).

Através de seu racionalismo crítico (criticismo), Kant tentou formular a síntese entre o sujeito e o objeto, entre racionalismo dogmático e empirismo, mostrando que, ao conhecermos a realidade do mundo, participamos de sua construção mental, ou seja: “das coisas conhecemos a priori só o que nós mesmos colocamos nelas”.

Referência:



KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. São Paulo: Nova cultural, 2005.



Dica de Leitura:



- Crítica da Razão Pura – Immanuel Kant

segunda-feira, 19 de março de 2012


Geografia – Texto 8 – Coordenadas Geográficas, fuso horários e Representação Terrestre





Os pontos de orientação são muito importantes para indicar as direções a partir de uma referência, mas somente eles não são suficientes para localizar com precisão qualquer lugar do espaço geográfico.

 Para localizarmos lugares ou objetos com precisão, utilizamos as coordenadas geográficas, que formam, sobre mapas e globos, um sistema de quadrículas (latitude e longitude), que permite obter rapidamente a localização geográfica de qualquer ponto na superfície terrestre. As linhas ou coordenadas formam um sistema de referências imaginárias, pois elas são representadas somente nas cartas ou nos mapas e não existem concretamente. Essas linhas imaginárias são denominadas paralelos (latitudes) e meridianos (longitudes).

Os paralelos são linhas horizontais que atravessam o planeta. A linha do equador é o principal paralelo e divide a Terra em duas partes iguais, chamadas hemisférios: o hemisfério Norte e o hemisfério Sul.

As latitudes, ou paralelos, são medidas em grau, minuto e segundo e determinadas a partir da linha do equador (0º), podendo atingir o valor máximo de 90º a norte ou a sul. Os paralelos mais importantes são o Trópico de Câncer e o Círculo Polar Ártico, ao norte, e o Trópico de Capricórnio e o Círculo Polar Antártico, ao sul. No Brasil, o Trópico de Capricórnio passa pelos Estados do Paraná e de São Paulo. Todos os lugares que estão sobre o mesmo paralelo têm a mesma latitude.

Os meridianos são linhas verticais que ligam o pólo Norte ao pólo Sul e também são medidos em grau, minuto e segundo. Todos os meridianos são medidos a partir do meridiano de Greenwich, que corresponde a 0º. Greenwich divide a Terra em dois hemisférios: o hemisfério Leste, ou Oriental, e o hemisfério Oeste, ou Ocidental.

As longitudes, ou meridianos, são as linhas que partem do meridiano de Greenwich (0º) até 180º a oeste ou a leste e convergem para os pólos. A linha imaginária tem esse nome porque passa pelo antigo observatório de Greenwich, situado na periferia de Londres. Todos os lugares situados sobre o mesmo meridiano têm a mesma longitude.

O cruzamento ou encontro dos paralelos e meridianos determina uma coordenada geográfica que nos permite localizar com exatidão um lugar, uma cidade, um país, um continente, um avião ou um navio na superfície da Terra.



Fuso Horário:

Ao lado da localização das pessoas, objetos e lugares no espaço geográfico, cuidou-se também da localização do tempo.

Como vimos anteriormente, a Terra tem forma esférica, sendo ligeiramente achatada nos pólos. Portando, possui 360º de circunferência. Também aprendemos que, pelo movimento de rotação, nosso planeta leva 24 horas para girar em torno de seu eixo imaginário. Dessa maneira, a cada hora a Terra gira 15º (360º : 24 horas). Esses intervalos de 15º correspondentes a uma hora são chamados de Fusos horários.

Existem, portanto, 24 fusos no planeta Terra. Em cada uma das 24 faixas, a hora, por convenção, é a mesma. Porém por razões político-administrativas, a linha do fuso horário não é uma “reta”.

Em razão do desenvolvimento no setor de transportes, acarretando o aumento da velocidade e a diminuição do tempo que se levava para se deslocar de um ponto a outro tornou-se necessário estabelecer um sistema universal de determinação da hora legal (HLE). Uma convenção internacional realizada em 1884, nos Estados Unidos, determinou que a hora do fuso do meridiano de Greenwich – ou GMT, abreviação do inglês Greenwich Meridian Time ou Hora do Meridiano de Greenwich – seria referência mundial na determinação das horas.

Assim, todas as localidades que estão a leste de Greenwich têm a hora adiantada em relação a esse meridiano e as localidades que estão a oeste têm a hora atrasada. Conforme se passa de um fuso para o outro, deve-se aumentar (a leste ou oriente) ou diminuir (a oeste ou ocidente) uma hora no relógio.



Com base em sua localização e em suas particularidades, cada nação institui uma (ou mais) hora legal, que bem sempre corresponde exatamente ao fuso em que se situa. Se o país for muito vasto, no sentido leste-oeste, há mais de uma hora legal. A federação Russa, por exemplo, possui doze horas diferentes; o Canadá, oito; Os EUA, seis, e o Brasil, três.

Observando com atenção o mapa dos fusos horários, notamos que a cidade de Brasília está situada no fuso que indica um atraso de 3 horas em relação ao meridiano 0º. Assim, quando em Londres for 21 horas, por exemplo, em Brasília será 18 horas.



Representação da Terra:

Globo Terrestre



Considerando a forma esférica da Terra, a melhor maneira de representá-la é por meio do globo. O globo terrestre é uma representação em miniatura de nosso planeta, ou seja, é uma representação esférica da Terra em tamanho reduzido.

No globo, é possível visualizar o contorno dos continentes, oceanos, mares e ilhas, os traçados dos principais rios, lagos e montanhas e a divisão política dos continentes em países e capitais, além das cidades importantes. Nos globos encontramos também a representação das linhas imaginárias (meridianos e paralelos).

Essa maneira de representar a Terra, copiando sua forma em miniatura, apresenta algumas dificuldades: manuseio, impossibilidade de visualizar detalhes e toda a superfície terrestre de uma só vez, representação extremamente reduzida e simplificada.


Mapas

Utilizam-se outras formas de representar a Terra. Entre essas formas, desancam-se os mapas, que são representações de toda a superfície terrestre ou de partes dela – um país, um continente ou uma região qualquer - , numa superfície plana.

Os mapas são importantes em todas as atividades modernas do homem. Outrora seu emprego destinava-se aos navegadores e exploradores, com fins geralmente militares ou de conquistas. Atualmente, a confecção de mapas é básica para o desenvolvimento de programas de planejamento e administração na política, na economia, na agronomia e na segurança nacional. É fundamental para o conhecimento geográfico de um país ou região e contém posições políticas e ideológicas.

Conforme a destinação, os mapas poder ser físicos (relevo e altitude), geológicos (estrutura geológica), políticos (divisão dos continentes em países, por exemplo). Climáticos (fenômenos meteorológicos), demográficos (dados da população) ou temáticos (informações diversas: solos, vegetação, rodovias, cidades etc).



Projeções Cartográficas



Como o planeta Terra é esférico, utiliza-se, então uma projeção que permite representar em um plano o que está em uma superfície curva. Essa transferência provocam, como é natural, algumas deformações, e por isso existem numerosos tipos de projeções cartográficas que procuram corrigi-las.

As projeções cartográficas podem ser de três tipos: cilíndrica, cônica e plana ou azimutal.

Projeção Cilíndrica: possibilita a representação total da superfície da Terra, sendo muito utilizada para a produção de planisférios e na navegação. Nesse tipo de projeção, os paralelos e meridianos ficam retos e perpendiculares; as regiões equatoriais são representadas com suas dimensões reais e as altas latitudes, com dimensões exageradas.

Destaca-se a projeção cilíndrica de Mercator, nome pelo qual era mais conhecido o geógrafo holandês Gerhard Kremer, que a criou. Foi elaborada em 1569, época da expansão marítima européia. Essa projeção cilíndrica pertence ao tipo chamado conforme, porque não deforma os ângulos e mantém as formas dos continentes e países, mas distorce suas áreas.

Outra projeção de destaque é a de Peters, que propôs uma projeção cilíndrica, mas equivalente, ou seja, as áreas da Terra conservam a dimensão correta, porém encontram-se esticadas por causa da deformação dos ângulos.

Projeção Cônica: Um dos hemisférios é transformado em cone, que é, posteriormente, aberto. É uma projeção utilizada para representar principalmente regiões de latitudes médias que sofrem deformações. Esse tipo de projeção apresenta paralelos circulares e meridianos radiais.

Projeção Plana ou azimutal: É empregada na produção de mapas especiais, principalmente os aeronáuticos e os náuticos. É muito utilizada para representar regiões polares. Contém paralelos projetados em círculos concêntricos e meridianos projetados em linhas retas.